Marcação a mercado é uma expressão que costuma causar estranheza em quem começou a investir pela renda fixa.
Afinal, se a taxa foi definida no momento da compra, por que o saldo do investimento pode cair?
Imagine que você compre um Tesouro IPCA+ oferecendo inflação mais uma determinada taxa de juros ao ano.
No dia seguinte, a taxa contratada continua registrada.
O título continua existindo.
O vencimento continua o mesmo.
E, mesmo assim, o valor mostrado na carteira pode estar menor.
Não significa necessariamente que o Governo deixou de pagar aquilo que foi combinado.
Significa que, se aquele título fosse vendido naquele momento, o mercado poderia atribuir a ele um preço diferente daquele pelo qual você o comprou.
Essa diferença é a essência da marcação a mercado.
Significa que a regra de remuneração do investimento é conhecida ou definida no momento da aplicação.
O que é marcação a mercado?
A marcação a mercado é a atualização do valor de um investimento de acordo com o preço pelo qual ele poderia ser negociado naquele momento.
Esse preço pode mudar ao longo do tempo.
Entre os fatores que influenciam a precificação estão:
- as taxas de juros praticadas no mercado;
- as expectativas para inflação e política monetária;
- o tempo restante até o vencimento;
- a oferta e a demanda pelo título;
- o risco de crédito do emissor, quando aplicável;
- as condições gerais da economia.
A ANBIMA explica que a marcação a mercado procura apresentar um valor mais próximo daquele pelo qual o ativo poderia ser negociado no momento, enquanto a chamada marcação na curva acompanha a evolução do investimento de acordo com as condições contratadas na aquisição.
Essa diferença é particularmente importante para quem pensa em vender o título antes do vencimento.
Então renda fixa pode ter rentabilidade negativa?
Sim, em determinados períodos.
Um título de renda fixa pode apresentar valorização negativa no extrato mesmo que sua regra de remuneração seja conhecida.
Isso parece contraditório apenas enquanto confundimos duas coisas:
Esses valores não precisam caminhar juntos todos os dias.
Imagine um título que tenha sido comprado para permanecer na carteira durante dez anos.
Seu preço pode subir e cair inúmeras vezes ao longo desse período.
Se o investidor precisar vendê-lo durante uma dessas oscilações, o preço do mercado naquele momento passa a importar diretamente.
Se puder cumprir a estratégia originalmente planejada e levar um título público do Tesouro ao vencimento, a lógica é diferente.
Por que a taxa de juros altera o preço do título?
A relação entre juros e preço dos títulos é o ponto mais importante para entender a marcação a mercado.
Considere um exemplo simplificado.
Imagine que exista um título que pagará R$ 1.000 no vencimento daqui a cinco anos.
Se a taxa de mercado for de 10% ao ano, alguém estaria disposto a pagar hoje aproximadamente R$ 620,92 para receber esses R$ 1.000 no futuro.
Agora imagine que, imediatamente depois da sua compra, novos títulos equivalentes passem a oferecer 12% ao ano.
Por que outro investidor pagaria R$ 620,92 pelo seu título, que rende menos, se pode comprar um novo com taxa maior?
Para que o seu título continue competitivo, seu preço precisa cair.
No nosso exemplo simplificado, a aproximadamente 12% ao ano, o valor presente cairia para cerca de R$ 567,43.
| Taxa de mercado | Valor aproximado hoje para receber R$ 1.000 em 5 anos |
|---|---|
| 8% ao ano | R$ 680,58 |
| 10% ao ano | R$ 620,92 |
| 12% ao ano | R$ 567,43 |
Exemplo puramente matemático e simplificado, sem considerar tributação, fluxos intermediários, dias úteis, spreads, taxas ou características específicas de títulos reais.
A lógica fica clara:
Taxa de juros ↓ → preço do título ↑
Essa relação inversa é uma das bases da marcação a mercado.
Por que o prazo do título faz tanta diferença?
Imagine agora dois títulos.
Um vence no próximo ano.
O outro vence daqui a vinte anos.
Uma mudança nas taxas de juros terá muito mais tempo para produzir efeitos sobre os fluxos do segundo título.
Por isso, em condições semelhantes, títulos com prazos maiores tendem a apresentar maior sensibilidade a alterações nas taxas de mercado.
É uma das razões pelas quais um Tesouro IPCA+ longo pode apresentar oscilações expressivas mesmo sendo um título público de renda fixa.
Isso não transforma automaticamente o investimento em ruim.
Significa apenas que o prazo precisa estar alinhado ao objetivo.
O erro pode ser utilizar um título longo para um dinheiro que talvez precise ser retirado no curto prazo.
Quanto mais longo o vencimento, maior a oscilação?
De maneira geral, mantendo os demais fatores comparáveis, quanto maior a sensibilidade do título às taxas de juros, maior pode ser a variação de preço provocada por uma mudança nessas taxas.
Mas prazo não é a única variável.
Fluxos de pagamento intermediários, tipo de título, taxa contratada e outras características também influenciam a sensibilidade.
No mercado financeiro, conceitos como duration ajudam a medir essa exposição.
Para o investidor iniciante, porém, não é necessário dominar toda a matemática para entender a regra prática:
Quanto maior a chance de você precisar vender antecipadamente, mais importante é entender essa característica antes de comprar.
O Tesouro IPCA+ pode cair mesmo pagando IPCA mais juros?
Sim.
Essa é provavelmente a situação que mais confunde investidores.
Imagine que você compre um Tesouro IPCA+ oferecendo IPCA + 6% ao ano.
Algum tempo depois, títulos equivalentes passam a ser vendidos a IPCA + 7%.
Seu título continua tendo a taxa contratada.
Mas, para que alguém aceite comprá-lo no mercado antes do vencimento, seu preço precisa se ajustar diante da existência de novos títulos pagando uma taxa maior.
Por isso, seu valor de mercado cai.
Agora imagine o contrário.
Você possui um título contratado a IPCA + 6% e os novos títulos passam a oferecer apenas IPCA + 5%.
Seu papel ficou relativamente mais atraente.
Seu preço de mercado tende a subir.
É exatamente esse mecanismo que explica grande parte das oscilações vistas no Tesouro IPCA+.
E o Tesouro Prefixado?
A lógica é semelhante e, para muitas pessoas, até mais fácil de visualizar.
Imagine que você compre um Tesouro Prefixado pagando 10% ao ano.
Depois, a taxa de mercado sobe para 13%.
Novos investidores conseguem contratar 13%.
Seu título de 10% torna-se menos competitivo.
Seu preço precisa cair.
Se, ao contrário, as taxas de mercado caírem para 7%, ter um título contratado anteriormente a 10% se torna interessante.
O preço tende a subir.
Por isso, títulos prefixados também podem apresentar oscilações significativas antes do vencimento.
E o Tesouro Selic?
O Tesouro Selic também possui preço de mercado e pode apresentar pequenas oscilações.
Entretanto, sua sensibilidade às mudanças das taxas de juros costuma ser muito menor do que a observada em títulos prefixados ou IPCA+ de prazo longo.
Essa característica é uma das razões pelas quais o Tesouro Selic costuma ser utilizado para objetivos de prazo mais curto e situações em que liquidez é importante.
Isso não significa que todos os títulos chamados “Tesouro” tenham o mesmo comportamento.
A função de cada um é diferente.
Veja também nosso guia Tesouro Direto: como funciona e como escolher um título.
Existe algum título do Tesouro Direto sem marcação a mercado?
Em 2026 surgiu uma exceção importante dentro do programa.
O Tesouro Reserva foi criado como produto destinado principalmente à formação de reservas e possui uma característica diferente dos títulos tradicionais do programa: ele não está sujeito à marcação a mercado.
Sua remuneração acompanha 100% da Selic e o valor não sofre as mesmas oscilações de preço decorrentes das mudanças das taxas de mercado.
No momento da revisão deste artigo, em setembro de 2026, o produto ainda estava disponível inicialmente por meio do Banco do Brasil, enquanto o Tesouro Direto informava que outras instituições seriam habilitadas futuramente.
Ela não muda a lógica de marcação a mercado dos demais títulos do Tesouro Direto.
As condições atualizadas podem ser consultadas na página oficial do Tesouro Reserva.
Se eu levar o título até o vencimento, a oscilação deixa de importar?
A resposta precisa ser entendida com cuidado.
No caso dos títulos do Tesouro Direto sujeitos à marcação a mercado, o Tesouro informa que, se o título for mantido até o vencimento, o investidor recebe a rentabilidade definida no momento da compra, independentemente das oscilações de preço ocorridas durante o caminho.
Portanto, para quem possui um título compatível com seu objetivo e pode mantê-lo até o vencimento, as oscilações intermediárias podem não alterar o resultado contratado no vencimento.
Mas não devemos transformar isso na frase simplista:
“Marcação a mercado não importa.”
Ela importa por vários motivos.
- Você pode precisar do dinheiro antes do vencimento.
- Seu objetivo pode mudar.
- Uma venda antecipada ocorrerá pelo preço vigente no mercado.
- O título pode não ser adequado ao horizonte para o qual foi comprado.
- Oscilações muito maiores do que o investidor esperava podem provocar decisões emocionais ruins.
Além disso, em títulos privados também existem riscos de crédito e condições contratuais específicas.
Portanto, “levar até o vencimento” não deveria ser uma desculpa para comprar qualquer título sem analisar emissor, prazo e finalidade.
Prejuízo na tela é prejuízo de verdade?
Essa pergunta costuma gerar discussões desnecessariamente extremas.
De um lado aparece quem diz:
“Só existe prejuízo se vender.”
Do outro:
“Se caiu na tela, você já perdeu dinheiro.”
As duas frases isoladas simplificam demais a questão.
A queda de preço representa uma redução real do valor pelo qual aquele título poderia ser convertido em dinheiro naquele momento.
Portanto, não é um número fictício.
Mas se o título público foi comprado para um objetivo compatível com o vencimento, o investidor não precisa necessariamente realizar aquela perda vendendo antecipadamente.
O vencimento determina o que acontece se você conseguir seguir a estratégia até o final.
São informações diferentes e ambas são úteis.
Marcação a mercado pode gerar lucro antes do vencimento?
Sim.
As oscilações não acontecem apenas para baixo.
Se as taxas de mercado caírem depois que você comprou um título a uma taxa maior, seu título pode se valorizar significativamente.
Isso abre a possibilidade de vender antecipadamente por um preço maior.
Algumas pessoas chamam esse movimento de “ganhar com marcação a mercado”.
A expressão exige cuidado.
Para obter o ganho antecipadamente, é necessário vender.
Depois da venda, o dinheiro precisará encontrar outro destino.
E, se as taxas de mercado caíram, os novos títulos provavelmente estarão oferecendo remuneração menor.
Portanto, não existe almoço grátis.
Vale a pena comprar títulos pensando em vender quando os juros caírem?
Essa é uma estratégia possível, mas muito diferente de simplesmente comprar renda fixa para um objetivo com vencimento definido.
Quem compra um título longo exclusivamente porque acredita que os juros cairão está fazendo uma aposta sobre o comportamento futuro das taxas.
Se a expectativa estiver correta, pode ocorrer forte valorização.
Se as taxas subirem em vez de cair, o efeito será o contrário.
Nos dois casos, o produto pode ser exatamente o mesmo.
O que mudou foi a estratégia.
Isso é importante porque muitas pessoas acreditam estar fazendo um investimento conservador quando, na realidade, estão realizando uma aposta relevante sobre taxas de juros.
Taxas altas significam que devo comprar o título mais longo possível?
Não necessariamente.
Uma taxa elevada chama atenção.
Mas o prazo continua importando.
Imagine um título excelente em termos de taxa, mas que vence em vinte anos.
Se você pretende utilizar aquele dinheiro daqui a três, existe uma incompatibilidade entre o investimento e o objetivo.
A taxa atraente não elimina o risco de precisar vender em um momento desfavorável.
Esse princípio apareceu também no artigo sobre carteira para aposentadoria:
Depois escolha o investimento.
Marcação a mercado e rebalanceamento de carteira
O tema também se conecta diretamente ao rebalanceamento da carteira.
Imagine que você possua títulos IPCA+ longos.
As taxas de mercado caem bastante.
Seus títulos se valorizam e a renda fixa indexada à inflação passa a ocupar parcela muito maior do patrimônio.
Isso pode alterar a composição planejada mesmo que você não tenha feito nenhum novo investimento.
O inverso também é possível.
Uma alta das taxas pode reduzir temporariamente o peso de títulos marcados a mercado.
Por isso, rebalanceamento deveria considerar não apenas ações e FIIs, mas também as oscilações que podem existir dentro da própria renda fixa.
Marcação na curva é diferente de marcação a mercado
Sim.
Marcação na curva
Procura mostrar a evolução do investimento conforme a remuneração contratada, levando o título progressivamente em direção ao valor esperado no vencimento.
É uma visão útil para quem pretende acompanhar o fluxo contratual.
Marcação a mercado
Mostra quanto aquele investimento vale considerando as condições atuais de negociação.
Se o investidor precisasse vender hoje, é essa informação que se torna mais relevante.
Desde 2023, instituições que seguem as regras de distribuição da ANBIMA passaram a apresentar valores de referência a mercado para determinados títulos públicos e privados mantidos diretamente pelos clientes, como debêntures, CRIs e CRAs.
O objetivo é dar mais transparência ao valor que esses ativos poderiam ter em uma negociação.
CDB, LCI e LCA também sofrem marcação a mercado?
A resposta não é simplesmente igual para todos os produtos.
CDBs, LCIs e LCAs possuem características de liquidez e negociação diferentes de títulos públicos, debêntures, CRIs e CRAs.
Muitos desses produtos bancários são mantidos até o vencimento ou resgatados de acordo com condições previamente definidas pelo emissor, sem um mercado secundário amplo no qual o investidor negocia diariamente.
Por isso, o modo como aparecem no extrato pode ser diferente.
Mas isso não significa que um título bancário esteja economicamente imune a mudanças nas taxas de juros.
Imagine que você tenha contratado um CDB prefixado pagando 10% ao ano por cinco anos.
Depois, CDBs equivalentes começam a pagar 14%.
Mesmo que seu aplicativo continue mostrando a evolução pela taxa contratada, existe um custo de oportunidade: novos investimentos semelhantes estão pagando mais.
Preço exibido no extrato e realidade econômica não são exatamente a mesma coisa.
E os fundos de renda fixa?
Nos fundos, a marcação a mercado é especialmente importante porque os ativos da carteira precisam ser atualizados e refletidos no valor das cotas.
Por isso, um fundo de renda fixa pode apresentar rentabilidade negativa em determinados dias ou períodos.
Isso costuma surpreender quem associa “renda fixa” a uma linha que só sobe.
O comportamento dependerá do tipo de ativo que o fundo possui.
Um fundo exposto a títulos longos prefixados ou indexados à inflação pode apresentar oscilações maiores do que outro concentrado em instrumentos muito curtos e pós-fixados.
Novamente, o nome “renda fixa” não conta toda a história.
Por que dois fundos de renda fixa podem se comportar de maneira tão diferente?
Porque renda fixa é uma classe ampla.
Dentro dela podem existir:
- títulos indexados à Selic;
- títulos prefixados;
- títulos indexados à inflação;
- crédito bancário;
- debêntures;
- crédito privado;
- prazos muito curtos;
- prazos de várias décadas.
O principal fator de risco pode ser completamente diferente.
Portanto, antes de escolher um fundo apenas pela rentabilidade dos últimos doze meses, é importante entender o que existe dentro dele.
Marcação a mercado é risco ou oportunidade?
Pode ser os dois.
Para alguém que precisará vender um título longo depois de uma alta das taxas, a oscilação pode representar perda.
Para quem possui dinheiro disponível e encontra títulos oferecendo taxas mais altas, a mudança pode criar melhores condições para novos aportes.
Para quem comprou anteriormente a taxas altas e depois observa forte queda dos juros, a valorização pode gerar oportunidade de venda antecipada.
O ponto mais importante é não tratar a marcação a mercado como algo intrinsecamente bom ou ruim.
Ela é uma característica da precificação.
É descobrir a oscilação apenas depois de comprar um título cujo prazo não combinava com seu objetivo.
Como evitar surpresas com a marcação a mercado
Um título do Tesouro pode estar negativo e ainda fazer sentido?
Sim.
Imagine que você tenha comprado um Tesouro IPCA+ para pagar uma despesa prevista para o próprio vencimento do título.
As taxas subiram e o preço caiu.
Seu extrato ficou negativo em determinado período.
Se nada mudou no objetivo e você continua podendo manter o título até a data planejada, a oscilação intermediária não significa automaticamente que a estratégia deu errado.
Agora altere apenas uma coisa:
você descobre que precisará do dinheiro no próximo mês.
A mesma oscilação passa a ser extremamente relevante.
O investimento não mudou.
O que mudou foi a necessidade de liquidez.
É por isso que não existe análise de investimento sem analisar o objetivo.
Não escolha apenas a maior taxa exibida
Quando abrimos a plataforma do Tesouro Direto ou uma corretora, é natural olhar primeiro para a taxa.
IPCA + X%.
Prefixado a Y%.
CDB a Z% do CDI.
Mas a taxa é apenas uma parte da decisão.
Também precisamos perguntar:
Posso precisar vender antes?
Quanto o preço pode oscilar?
Qual é o risco de crédito?
Qual função esse investimento terá na minha carteira?
Um investimento não é melhor simplesmente porque exibe o maior número na coluna “rentabilidade”.
Perguntas frequentes sobre marcação a mercado
O que é marcação a mercado?
É a atualização do preço de um investimento conforme as condições atuais do mercado. Ela mostra quanto aquele ativo poderia valer se fosse negociado naquele momento.
Por que meu Tesouro IPCA+ está negativo?
Uma causa comum é a alta das taxas de juros de mercado. Quando novos títulos semelhantes passam a oferecer taxas maiores, o preço dos títulos existentes tende a cair. Prazo e sensibilidade às taxas também influenciam a intensidade da oscilação.
Se eu levar o Tesouro até o vencimento, perco dinheiro com a marcação a mercado?
O Tesouro Direto informa que, para seus títulos tradicionais, se o investimento for mantido até o vencimento, será recebida a rentabilidade contratada na compra, independentemente das oscilações intermediárias. Uma venda antes do vencimento ocorre pelo preço de mercado daquele momento.
Quando os juros caem, o preço do título sobe?
Em geral, sim, especialmente em títulos prefixados e indexados à inflação. A queda das taxas torna títulos antigos contratados a taxas maiores relativamente mais atraentes, elevando seu preço.
Quanto maior o prazo, maior a marcação a mercado?
Em condições comparáveis, títulos de maior sensibilidade às taxas tendem a oscilar mais. Títulos longos frequentemente possuem maior sensibilidade, embora prazo não seja a única variável relevante.
Tesouro Selic sofre marcação a mercado?
Sim, embora sua sensibilidade normalmente seja muito menor do que a de títulos prefixados ou IPCA+ longos. Em 2026, o Tesouro Reserva passou a ser uma exceção dentro do programa, pois foi lançado sem marcação a mercado.
CDB pode cair no extrato?
Depende da forma de apresentação e das condições do produto. Muitos CDBs são apresentados pela evolução da taxa contratada e não possuem mercado secundário semelhante ao de títulos públicos. Isso não significa ausência de risco de crédito, liquidez ou custo de oportunidade.
Marcação a mercado é ruim?
Não. Ela torna visível o preço atual do investimento. Pode mostrar tanto desvalorização quanto valorização. O impacto para o investidor depende principalmente do objetivo, do prazo e da necessidade de vender antecipadamente.
Posso ganhar dinheiro comprando títulos antes da queda dos juros?
Se as taxas caírem, títulos anteriormente contratados a taxas maiores podem se valorizar. Porém, comprar apenas para tentar antecipar esse movimento significa assumir uma estratégia baseada em previsão de juros, com risco de o cenário ocorrer de maneira diferente.
Renda fixa fica muito mais simples quando entendemos o prazo
A marcação a mercado parece complicada porque normalmente começamos pela taxa.
Talvez a ordem devesse ser outra.
Primeiro:
quando vou precisar desse dinheiro?
Depois:
qual investimento possui características compatíveis com esse prazo?
Só então a taxa entra na comparação.
Prazo, liquidez e objetivo precisam combinar.
Quando essa lógica está clara, uma queda temporária no preço deixa de ser automaticamente motivo para pânico.
O investidor consegue perguntar:
“Preciso vender?”
“Minha estratégia mudou?”
“O vencimento continua compatível com o objetivo?”
“A oscilação veio apenas das taxas de mercado ou existe algum problema de crédito?”
Essas perguntas são muito mais úteis do que olhar o saldo vermelho e concluir que renda fixa “não é mais segura”.
Renda fixa possui riscos.
Mas riscos diferentes de ações ou FIIs.
Entender a marcação a mercado é justamente parte do processo de saber quais riscos você está assumindo.
Se ainda está construindo sua base de conhecimento, leia Tesouro Direto: como investir e escolher os títulos.
Se seu objetivo é aposentadoria, veja também Tesouro RendA+: como funciona e Carteira para aposentadoria: como equilibrar segurança, renda e crescimento.
E, se já possui diferentes classes de ativos, continue em Rebalanceamento de carteira: quando e como ajustar seus investimentos.
Resumo: o que você precisa saber sobre marcação a mercado
- Renda fixa não significa preço fixo todos os dias.
- A marcação a mercado atualiza o título para seu valor de negociação no momento.
- Quando as taxas de mercado sobem, o preço de títulos prefixados e indexados à inflação tende a cair.
- Quando as taxas caem, o movimento tende a ser inverso.
- Títulos longos geralmente apresentam maior sensibilidade às mudanças das taxas.
- O Tesouro IPCA+ pode mostrar rentabilidade negativa mesmo mantendo a taxa contratada para o vencimento.
- O Tesouro Prefixado também pode oscilar significativamente antes do vencimento.
- O Tesouro Selic costuma apresentar sensibilidade muito menor.
- O Tesouro Reserva, lançado em 2026, é uma exceção dentro do programa por não utilizar marcação a mercado.
- Nos títulos tradicionais do Tesouro Direto, uma venda antecipada ocorre pelo preço de mercado.
- Levar um título adequado até o vencimento é diferente de precisar vendê-lo antes.
- Marcação a mercado pode produzir tanto valorização quanto desvalorização.
- Comprar títulos longos para lucrar com queda dos juros é uma estratégia baseada em previsão de taxas e possui riscos.
- Prazo e objetivo devem ser definidos antes da escolha do investimento.
- A maior taxa disponível nem sempre corresponde ao investimento mais adequado.
O comportamento de cada título depende de suas características específicas. Rentabilidade contratada, preço de mercado, risco de crédito, liquidez, tributação e vencimento precisam ser analisados em conjunto. Antes de realizar uma venda antecipada ou alterar sua estratégia, verifique as condições do investimento e seus objetivos financeiros.
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Conteúdo revisado em setembro de 2026.